O objetivo deste blog é meramente acadêmico. Ele foi pensado para divulgações dos trabalhos acadêmicos e reflexões sobre a Lingüística (Línguas), Literatura e Sociedade da Guiné-Bissau. Não compromete com as questões políticas partidárias, mas sim com a literatura e sociedade que é uma forma de contribuir na mudança de mentalidade e olhares sobre a nossa realidade.
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
REVISOR
Letras-língua portuguesa pela
Universidade da Integração
Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB), bolsista
do Projeto de Iniciação à Docência (PIBID), bolsista do Projeto de]
Extensão REVISA: Formação de Revisores de Texto. Tem paixão
pela área de
estudos crioulos (principalmente pelo estudo do crioulo
de Guiné-Bissau), pela
linguística textual e análise do discurso, pela linguísticaestrutural e
funcional.
REVISOR
Revisor: Romilson Gomes Cabi é Graduando em Letras – Língua Portuguesa
na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB). Membro do Grupo de Língua e Cultura
Crioula de Juventude Guineense na Unilab (Nô Djunta Mon),membro de Academia de Letras de Estudantes Guineenses de Letras da] UNILAB e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Interessa-se em estudos literários dos escritores lusófonas, principalmente a Literatura Guineense.
sábado, 7 de janeiro de 2017
Romilson
Gomes Cabi é Graduando em Letras – Língua Portuguesa na Universidade da
Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB). Membro do Grupo de Língua e Cultura Crioula de Juventude Guineense na Unilab (Nô Djunta
Mon), membro de Academia de Letras de Estudantes Guineenses de Letras da UNILAB e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Interessa-se em
estudos literários dos escritores lusófonas, principalmente a Literatura Guineense.
A VIZINHA NHOMBA
Saiu de manhã bem cedinho com o destino à praça, para o ministério da
justiça concretamente no departamento de identificação civil, afim de fazer um
novo bilhete de identidade. O seu nome já se encontrava na lista das pessoas
que iriam ser recebidas e atendidas conforme o protocolo do agendamento. Isso faz
parte dos procedimentos. Para conseguir o agendamento o pedido tinha que ser antecipado
uma semana ou mais e acompanhado de várias papeladas requisitadas.
Com muito sacrifício, chegou muito cedo com o corpo todo suado e
transpirado de tanto pulo e desvio dos buracos e esgotos das terras batidas que
ligava Antula e praça. Muito embora não era a única nesta situação. Chegou antes dos próprios
funcionários, porém foi a quarta pessoa na fila depois de duas senhoras de pelo
menos 22 anos de idade, as mais novas que ela e um homem gigante que tinha
característica de um barqueiro - era forte, robusto, com um ar estranho de não
dar confiança e ainda vestido de um fato enorme numa época de muito calor.
Nhomba cansada daquela vida. Fazia tudo que o marido recomendava, para
que um dia pudessem estar juntos novamente. Mas até então, nada parecia dar
certo. Desde que o marido viajou para terra dos brancos, nunca poupou esforços
de tentar o caminho para a esposa. Muitas papeladas e dinheiros foram gastos no
processo, mas até então não conseguiam entender o porquê de tudo não
corresponder com expectativas. O marido depois de muitos cálculos e conselhos
dos colegas decidiu mudar de nome a Nhomba. Talvez ficaria mais fácil o
processo. Nhomba deveria fazer um novo bilhete de identidade com um novo nome.
Porque parecia ser que o sistema é que não está reconhecendo o seu nome. Já que
é estranho por pessoas que fará para as máquinas - pensamento do marido. Ele já tinha ouvido que muitas pessoas
que mudaram de nome, deram bem no processo, então a sua esposa tem que fazer o
mesmo.
Mas qual seria o nome? Que nome a Nhomba N’busse conseguiria assimilar
facilmente sem atrapalhar o processo. Vitória, Elena, Vilma, Júlia, Sónia, Daniela,
são os nomes propostos pelo marido, nomes das suas amigas na outra banda.
̶ Eu prefiro a Daniela, me parece mais fácil entre outros ̶
disse a Nhomba.
̶ E para o sobrenome...?
̶ Daniela N’busse ficaria muito
bem, eu quero manter com a meu sobrenome.
̶ Não, não. Será que você ainda
não intende?! não é para ser nenhum nome de terra que fará o seu sobrenome.
̶ Hmmm!!! As coisas já estão a
ficar cada vez mais chato para o meu gosto.
̶ É por isso que devemos fazer a
coisa certa desta vez.
̶ Mas me colocar um outro nome
não parece tão certa...
̶ Nhomba, escuta!... O meu desejo
não era você trocar de nome... eu sei que é difícil para você, mas está ficando
também muito mais difícil para mim... deixar... deixar o meu trabalho para tratar
das papelaaadas tooodos os diiias não me parece também fácil...
̶ Ok, ok, eu entendo, só que...
̶ Só que o quêêê?
̶ Mario, isso é difícil para mim
também, os meus pais que me deram esse nome e significa muito para mim. E como
posso esquece-lo?.
̶ Você não vai esquecer do seu
nome e ninguém vai esquece-lo, porque ninguém vai te chamar de Daniela, é só um disfarce para que você possa
vir estar comigo. É só isso...!
Nhomba não concordava nem tão pouco com a decisão, mas sentiu que era necessário.
Registrou-se como Daniela Gomes. Daí faltava somente bilhete de identidade para poder mudar todos os outros documentos.
Depois de muito tempo de espera, a porta abriu e uma atendente anunciou
que não era preciso aquela fila, mas sim os nomes vão ser chamados de acordo
com a lista.
Nhomba não ficou contente com isso. Ela teve muito trabalho de levantar bem
cedinho para aquela fila e agora muitos que chegaram depois dela estão a ser chamados
e atendidos ̶ isso
não está certo ̶ comentava com um, ora com outro, ficou descontente com a nova regra.
Hora fora, hora a dentro muitos nomes já foram chamados e chegou a vez
da Daniela Gomes.
̶ Daniela Gomes...! Daniela. Quem
é a Daniela Gomes? Por favor alguém sabe se a Daniela está aqui!? - Disse atendente.
A Daniela foi chamada várias vezes e ninguém era. A metade das pessoas
agendadas já foram atendidas até no horário do almoço. A Nhomba ficou
frustrada. Pensava que ia resolver muito sedo e voltar para a sua
vida de bideira, até então se
encontrava fora da identificação sem resolver nada.
Não tinha nada de comer, a não ser uma fatia de cuscuz e mancara que
levava consigo. O trabalho devia ser retomado só as 13h30. Cansada, comeu a sua
fatia de cuscuz com o resto da mancara e depois bebeu a água numa torneira que
estava no jardim do ministério.
Primeiro nome a ser chamado depois da retomada foi da Daniela Gomes. Quando atendente anuncio, mais uma vez a Daniela não estava. Onde foi que essa Daniela foi se meter? Ela
vai perder o seu dia de atendimento ̶ comentavam algumas pessoas. Naquela época era
difícil conseguir um agendamento, se conseguir e você não aparecer, torna-se muito
mais difícil conseguir outro agendamento.
No horário do encerramento, uma atendente reparou que sobrava somente um
nome na lista, que não foi atendida e também tinha uma senhora ainda sentada na
escadaria. A atendente dirigiu a ela:
̶ Com licença minha senhora, o
que você faz aqui?
̶ Vim fazer o meu bilhete de
identidade.
̶ Você é...?
̶ Nhomba, minha senhora. O meu
nome é Nhomba Nbusse.
̶ Mora em que bairro?
̶ Antula... Antula Bono.
̶ Que estranho?!
Todas as informações batiam, menos do nome. O que será que aconteceu?
Será que confundiram e colocaram o nome da outra pessoa no lugar dela?
̶ Está muito confuso aqui, os
dados conferem, mas o nome não... aqui eu tenho a Daniela Gomes... você
conhece?- Perguntou atendente.
A partir de então é que as coisas começaram a se tornar mais claro para ela. Afinal
estava sendo chamada o dia todo e nem percebia. Quando a cabeça não está no
lugar sempre acontece uma coisa dessa. Nhomba ficou assustada, envergonhada e
culpada. Já tinha esquecido que mudou o nome oficialmente. Não era mais Nhomba
Nbusse que tratava nas papeladas, mas sim Daniela Gomes. Não podiam mais
atende-la porque já estava em cima do horário do fecho das atividades. Portanto, voltou para casa sem resolver nada. O dia foi nulo para ela sem
produzir ou resolver alguma coisa.
Por sua sorte, a atendente a colocou na lista do dia seguinte por pena
que sentia por ela. No outro dia fez as mesmas trajetórias para a praça, mas
com a música do seu novo nome na cabeça para nunca mais esquece-lo. Nunca
contou isso a ninguém e nem para o seu marido por causa da vergonha. o segredo
ficou guardado com sete trancas só entre ela e atendente.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
A VIOLÊNCIA POLÍTICA-SOCIAL: UMA ANÁLISE DA POESIA
DE ODETE SEMEDO.
Ianes Augusto Cá (UNILAB)
Orientadora: Profa. Dra. Jo A-mi
RESUMO EXPANDIDO: A VIOLÊNCIA POLÍTICA-SOCIAL: UMA ANÁLISE DA POESIA DE ODETE SEMEDO.
Assinar:
Comentários (Atom)
