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domingo, 28 de maio de 2017



Imelson Ntchala Cá, graduando em Letras Língua Português pela Universidadeda integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira-UNILAB. Membro de grupo de pesquisa "Escritas do corpo feminino nas literaturas em língua portuguesa". Bolsista de Projeto de extensão: “A formação crítica do professor de línguas: saberes experienciais e 
teóricos em interação”.









A FINALIDADE DA ESCRITA
Os seres humanos se encontram diversificados no planeta terra. Pertos e distantes um dos outros. Cada ser apresenta as suas peculariedades e as suas características. Características essas que na sua natureza são bastante complexas e ímpares, sendo cada um diferente do outro.  Não obstante, mesmo diante dessa gama diversificada, os seres humanos estão em constante busca pela interação, formando assim a unidade na diversidade. E para que haja essa interação, estabelecem a comunicação, de modo que possam se entender, interagir e compartilhar as informações e conhecimentos.
Para tal, a comunicação se estabelece, na linguagem verbal, pela oralidade ou pela escrita. Falamos para transmitir a mensagem, dizer algo a alguém, compartilhar as impressões. Igualmente, escrevemos para tal efeito.  Dada a essa relevância, tanto a escrita como a oralidade não se fazem de maneira aleatória. Não escrevemos por escrever e nem falamos por falar, a escrita assim como a fala, ambas têm um propósito e uma finalidade. Existem elementos que nos norteiam no pleno exercício de prática de cada uma dessas habilidades comunicativas. Tais subsídios devem ser sempre levados em conta no desenvolvimento de cada capacidade comunicativa. 
Nessa perspectiva, o presente texto tem como objetivo trazer ao leitor alguns elementos da escrita. Faremos uma reflexão sobre a escrita, como ação interativa entre os seres humanos. Basearemos nos pressupostos teóricos de Antunes (2003).
Segundo Antunes (2003), a escrita é uma atividade que tem como finalidade manter interação entre os seres humanos. Visto que, ela estabelece uma relação cooperativa entre duas ou mais pessoas, sujeitos estes que as suas ações se interdependam na busca dos mesmos fins. A escrita é interativa, pois permite uma interação entre o escritor e o leitor.
Ao lermos um texto, estamos dialogando com o escritor, por isso, Antunes (2003), nos assegura que a escrita é uma ação dialógica, porque o leitor, na sua ação de leitura, mantém um diálogo com o escritor, podendo nessa leitura/dialogo concordar ou discordar com o autor do texto.
Antunes (2003) ainda acrescenta que a escrita, também é dinâmica, pois, nada que escrevemos é estático. A Dinamicidade da escrita diz respeito a sua variação em diferentes contextos, podendo ser formal e informal. Dependendo de contexto em que estamos inseridos e pelo contexto em que será dirigida a nossa escrita.
Quando eu escrevo uma carta de pedido de emprego ou escrevo um e-mail para um/a professor/a, a minha escrita deve se adequar a esses contextos, isto é, adequação ao meio institucional. Diferentemente de quando escrevo para um amigo, no bate papo de facebook, ou no whatsaap. Nesse último caso, a escrita geralmente apresenta alto grau de informalidade. Sendo assim, a escrita deve ser contextualizada, obedecendo diferentes contextos e meios sociais.
A escrita também é negociável (Antunes, 2003). Aqui não se trata de negociar no sentido de arrumar o preço para comprar algo, mas sim se trata de negociação/interpretação de sentido do que é escrito. O escritor e o leitor estabelecem negociação do sentido. O leitor, através do seu conhecimento prévio ou seu conhecimento do mundo, interpreta além do que o escritor escreveu e chega a certas inferências.
Reparem que de todas essas ações da escrita, ação dialógica, dinâmica e de negociação, todos esses componentes intrínsecos à escrita, mantém o foco expressivo. Por isso, que Antunes (2003) considera a escrita como ação expressiva.  O que significa dizer que a escrita é a forma de expressão, nós escrevemos para expressar algo.
Escreve-se quando tem algo para dizer (o que dizer), após ter o que dizer, temos que ter um leitor (a quem dizer), escrevemos para alguém. E se escrevemos para expressar algo a alguém, é necessário saber como expressá-lo (modo como dizer, levando em conta o público alvo da escrita).
Prezado leitor, muitas vezes nos equivocamos e pensamos que boa escrita ou bom escritor é aquele que se apropria de palavras difíceis, frases e orações compostas, não é isso! O mais importante na escrita, o mais relevante é permitir que mensagem flua que se estabeleça a plena comunicação. Pouco adianta encher o texto de vocábulos difíceis, se o seu leitor não é capaz de entender esses termos, se não existe entendimento entre o leitor e escritor. Os nossos textos devem se adequar ao perfil do nosso leitor, assim estaremos cumprindo o propósito da escrita, permitindo que haja o entendimento e a comunicação entre escritor e leitor.

É indispensável ter essa cautela ao escrever, porque tudo que escrevemos é para comunicar e compartilhar algo com alguém, ao escrevermos estamos dirigindo para outra pessoa e não apenas a nós.
A visão interacionista da escrita supõe ainda que existe o outro “o tu”com quem dividimos o momento da escrita, conforme Antunes (2003, p.47).
Se a escrita é tão importante ao ponto que os seres humanos recorrem a ela para se comunicarem, então ela não se faz por fazer. Ela é premeditada, por isso, Antunes nos apresenta as seguintes etapas da escrita: o planejamento, escrita, revisão, reescrita.
De acordo com Antunes (2003) escrever requer planejamento, antes de escrever precisa fazer um esboço mental, isto é, planejar o que vou escrever, para quem vou escrever, quais as palavras devo utilizar.
Se já planejou, então escreva, materialize, represente esse seu pensamento através da grafia. Uma vez materializada a sua ideia, pela primeira vez, é importante revisar o escrito, o conteúdo, os erros ortográficos e gramaticais, depois da revisão, reescreva seu texto.
Prezados, não se preocupem tanto em categorizar os vossos textos com as palavras deslumbrantes, busquem no máximo possível se adequarem ao perfil do vosso leitor, do contexto da sua escrita e do seu propósito comunicativo.
Vamos escrever, pois é importante comunicar, documentar, compartilhar os saberes e interagir com o mundo. A escrita perpetua no tempo e no espaço e é indispensável a nós como seres humanos.
Fiquem Atentos!


sábado, 13 de maio de 2017






Imelson Ntchala Cá, graduando em Letras Língua Português pela Universidade da integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira-UNILAB. Membro de grupo de pesquisa "Escritas do corpo feminino nas literaturas em língua portuguesa". Bolsista de Projeto de extensão: “A formação crítica do professor de línguas: saberes experienciais e teóricos em interação”.










AFINAL, ONDE SE ENCONTRA O SENTIDO, NO TEXTO OU NO LEITOR?


INTRODUÇÃO
Nas nossas andanças universitárias e conversas acadêmicas, ainda na fase inicial, usamos e ouvimos a expressão do tipo “este texto é chato e não tem sentido”. Geralmente utilizamos essa expressão, quando estamos chateados, cansados e sufocados de tantos trabalhos e, por cima de tudo, somos obrigados a ler um texto, porque o professor pediu ou porque teremos que apresentar o seminário sobre esse mesmo texto. Pode ser que por motivos de cansaço, não conseguimos construir o sentido a partir da nossa leitura, então achamos que o texto é que não tem sentido. Então esse pequeno texto objetiva trazer algumas reflexões sobre a construção do sentido a partir do texto, partindo de pressuposto teórico de Costa (2004).

A CONSTRUÇÃO DO SENTIDO NO TEXTO POR INTERLOCUTORES
Em diferentes situações, algumas produções literárias chegam a ser julgadas e consideradas incompreensíveis, inaceitáveis e sem sentido para determinado grupo. As mesmas produções são consideradas relevantes, maravilhosas, aceitáveis e cheias de sentido para outro determinado grupo.  Aparecem duas visões antagônicas, entre dois ou mais leitores sobre o mesmo texto.
Esse fenômeno é muito frequente, ao considerarmos um texto incompreensível, ao ponto de afirmar que é um texto sem sentido, estamos afirmando de uma maneira implícita que não existe o sentido no texto que estamos lendo. Estamos igualmente afirmando que ao lermos não encontramos o sentido no texto. Desse modo, pensamos que o sentido se encontra apenas no texto, o que não é verdade.
Desconhecemos que o sentido é construído por cada leitor ou interlocutor, dependendo da situação e meio em que se encontra. Nós, enquanto leitores, é que construímos o sentido no texto. Por isso, um texto pode fazer sentido para um leitor, e para outro não, dependendo do contexto e da situação em que estamos inseridos enquanto leitores.
Alguém já deve ter ouvido duas pessoas (leitores) discutindo sobre a relevância de um texto. Um leitor acha e considera o texto sensacional e cheio de sentido. Enquanto que outro leitor considera o mesmo texto horrível, sem sentido. Reparem que os dois leitores leram o mesmo texto e tiveram posicionamentos diferentes sobre a mesma obra.
O problema é que o leitor que considera o texto maravilhoso ele conseguiu construir os sentidos a partir da sua leitura. Ao passo que o outro que achou o texto horrível não conseguiu construir o sentido a partir da sua leitura. Um texto pode fazer sentido e funcionar de maneira plena para uns interlocutores e parecer incompreensível, inadequada, inaceitável e sem sentido para determinado grupo. O sentido de texto é construído por leitor. A construção de sentido num texto dá-se por vários condicionantes. Condicionantes estes que podem ser linguísticos e extralinguísticos.
Reparem nesse exemplo de telefonema de um filho para um pai:
-Alo papa
-Alo
-Óleef ?
-Ó namindjona, ó si nu?
-O saonamindjona
-umkranda.
Nesse trecho, nós estamos perante um texto, pois segundo Costa (2004) o texto é qualquer produção linguística, falada ou escrita que faz sentido numa situação de comunicação. O exemplo do texto acima citado pode gerar uma discussão para dois leitores diferentes, um pode achar o mesmo sem sentido, enquanto outro pode o achar como texto com sentido. Pode fazer sentido para um grupo, e para outro não fazer.
Para um leitor que é da etnia pepel e que entende essa língua, certamente o texto acima citado tem sentido, visto que esse leitor vai conseguir construir o sentido a partir do texto, mas, para quem não é dessa etnia, jamais verá o sentido nesse texto e vai achar que este é um amontoado de palavras e sem sentido, ou seja, não conseguiu construir o sentido enquanto leitor. Mas é o mesmo texto lido por esses dois leitores. Isso quer dizer que o sentido não está no texto, mas sim é construído pelo leitor.
Para melhorar as coisas, podemos pegar o mesmo texto e traduzi-lo em crioulo, língua que todos os guineenses entendem.
Alo papa
Alo
Kuma kusta?
Nsta bem e abo?
Nsta bem
E assim propi.
Reparem que o mesmo texto acima escrito, que parecia não ter sentido para alguns leitores guineenses que não são da etnia pepel e que não entendem essa língua, agora apresenta o sentido pleno para esses leitores guineenses. O trecho de texto acima escrito passa a ter o sentido, porque esses mesmos leitores conseguiram construir o sentido a partir do texto. Mas o mesmo continua a ser visto sem sentido para o leitor que não sabe a língua crioulo e nem a língua pepel. 
É importante salientar que o fenômeno de achar um texto sem sentido e com sentido por cada leitor pode acontecer mesmo na língua entendida e falada por dois leitores diferentes, ou seja, um texto pode ser escrito em língua portuguesa, língua pela qual dois leitores se entendem, mas um pode achar que o texto tem sentido, e outro não. Não é o fato de saber ou não língua que está em causa, o que realmente está em causa na construção do sentido é a capacidade de leitura e de construção de sentido a partir do texto. O que realmente queremos mostrar é que o sentido não está apenas no texto, mas sim é construído pelo leitor. O sentido não está completo no texto, o leitor vai contribuir na construção do sentido a partir da sua experiência e de seu entendimento.
Então não julgue, não ache, e nem afirme que o texto não tem sentido, reconheça que é você enquanto leitor que não está conseguindo construir sentido, na sua leitura do texto. Pode ser que o texto seja “chato” pelo fato de ser difícil de compreender, por motivo de linguagem nele usada, mas jamais existe texto sem sentido.

Valorizemos as obras dos nossos escritores!

sábado, 6 de maio de 2017




Jeremias Demba é graduando em 
Letras - Língua Portuguesa pela 
Universidade da Integração Internacional 
da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB, 
aventureiro no mundo da Literatura e 
Linguística, autor de poesias e contos.








Noite
Deitado no meu pequeno leito com olhos arregalados, nariz entupido, boca aberta facilitando o respirar do peito.
Noite de sufoco, sem sono. O desconforto usurpou o meu cômodo que tanto me acariciava durante as noites frias. Hoje é o pior das noites, e o mais drástico é que o sol não vem, já passaram mais de 24h sem se amanhecer.
Quem me daria voz para gritar em meio a este engasgo do pesadelo? Só espero não morrer tão precoce. Talvez essa treva viesse decapitar o reconto do meu porvir. É a ira dos meus ancestrais? Cascudo de Deus? Uma praga enigma? Um dos antagonistas meus querendo me enfeitiçar? Ou eu maleficiando a mim mesmo? Seja lá o que for, quero saber porquê que essa noite não cessa.
Oh! Meu berço que era fofo, o lugar onde me requintava a cada amanhecer, meu maestro musical, hoje, a suavidade melódica dos seus cantos que reavivavam o pensar produtivo, transfigurou-se numa noitada de amargura infinda.
Provavelmente nenhum dos meus ancestrais passou por uma noite terrível como essa, se for o caso, saberia, com certeza, os cantos e os contos narrariam para mim numa das mais belas noites de lua cheia, quem sabe, lembraria da malandragem do escapo.
O único auxílio que me resta é um milagre. Mágico, se eu fosse, puxaria o sol lá do seu esconderijo, para que a noite azeda se desapareça e secar o meu leito banhado de choro de angustia.
Que noite é essa?
Que nem por piedade que eu peça,
sente vergonha dessa sua teatral peça.
Oh Deus! Teu prodígio eu espero,
caso terminar o escuro áspero
no dia mais ardífero,
numa arena juntar-me-ei todo mamífero,
antes do meu partir,
tudo contarei sem omitir.