--> expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

domingo, 23 de abril de 2017

João Fernando Cá é graduando do curso de Letras-Língua Portuguesa na UNILAB. Apaixonado pelas obras literárias, especificamente a poesia desde a sua infância. Em 2004 (com doze anos de idade) conquistou terceiro lugar num concurso de poesia organizado pelo AD (Ação para o Desenvolvimento, em Guiné-Bissau) a qual participaram todas as Escolas Privadas do bairro de Quelelé. Em 2008 foi vencedor do premio literário no liceu Dr. Agostinho Neto (Guiné-Bissau), é membro do grupo Poético Jeova-Nissi da Igreja Evangélica Assembleia de Deus-Quelelé. Em 2016 participou no Grupo de Escrita Literária “Ateliê” no qual teve um conto publicado na coletânia "O que contam sentido?". Atualmente, é bolsista do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência).




                                        
                                          Desalento

                                      Ao meu berço tu alias

                                     Veiculaste dentre sua arraia
                                      A lástima
                                      A mágoa.


                                      Aos meus contornos

                                      Trouxeste as trevas dos mortos
                                       Jamais encaro a euforia
                                      Esmagaste a minha emancipação
                                       Nem erguer para contemplar a luz posso
                                       Nem chispar atrás dos colegas!
                                       O que eu faço?


                                      Fizeste de mim um meão mal mirado

                                      Desdenha, meu comparsa
                                      Andei essas malilas de novela 
                                      Mas, não achado o procurado.

                                     
                                     De mim trazes um surto de abdicação

                                     Encanoei-me no pélago 
                                     Fútil fui
                                     Fútil reverti
                                     Através do seu apego
                                     Óh desalento!
                                    Quando abjugar-me-á?



Aminata Mendes possuiu graduação em Ciências Humanidades 
pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia
 Afro-Brasileira - UNILAB. Atualmente Licenciando em 
Sociologia e Especializando em Saúde da Família pela 
mesma instituição.









SAUDADES DA MÃE
Sinto sozinha, sinto sozinha,
Sentada num canto que nem conheço.
Sinto sozinha numa caminhada tão longa e dificultosa
Sinto sozinha,
Chorando sem o seu consolo,
Mãe!

A tua filha querida está padecendo de saudades
Pensei toda a noite no meu leito
À noite  de insônia na terra desconhecida,
Cadê você mãe?
A sua figura é muito grande para mim
A sua presença é a minha sombra
Os seus conselhos são brisa para mim, mãe.
Cadê você mãe? Quero ver a sua face.
Mãe, até quando?
Ate quando? Mãe.

Saudades mãe, mãe
Não esperava
Nem acreditava, se um dia vou sair longe de ti
Aqui está a tua filha querida, fechada num mundo desconhecido coberto pelas montanhas e raio do sol que queima tanto
 Ó caminho de guri guri montanhosa sem esperança de vida
 Mãe escuta  o grito  da tua filha , tenha fé de que um  dia voltarei
Ó mãe, sinto-me profundamente no sangue a tua voz, mãe 

Mamãe, mamãe saudades batem a porta.

sábado, 15 de abril de 2017



Vaz Pinto Có (Afu) é Licenciando em Letras Língua
 Portuguesa na Universidade da Integração Internacional 
da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB). Membro 
da Academia Afro-cearense de Letras (AAFROCEL). 
Em 2015 participou na Coletânea Novos Escritores 
da Academia Afro-cearense de Letras, em 2016 participou
 no livro O que contam os sentidos do projeto ateliê com 
conto Tragédia da Feijoada.  Além do conto gênero literário 
preferido. Vaz escreve também, poesia, crônica, memorial e diálogo. 



Um encontro!
Se alguém perguntar sobre o motivo de escrever esta história, responderei: eu escrevo esta história do encontro para que ela sobreviva para toda vida. Porque as letras não morrem.
Contudo, antes de começar falo: na infância eu era um menino que gostava de brigar com as meninas da minha tabanca somente para roncar a força porque sou homem. Porém numa tarde, minha avó chamou-me e disse: sem as mulheres nosso djorson já tinha acabado, porque são as mulheres que vão parir para aumentar djorson. Em seguida ela disse que quando uma mulher pepel morre é como se morresse dez homens.
Assim sendo, a partir deste dia nunca mais almejo magoar coração de uma mulher dependendo de ela ser pepel ou não. Atenção, leitor, não diga que minha avó disse que os homens não são importantes, por favor, não fale isso. Ela quer dizer que nós homens devemos saber que as mulheres também são importantes quanto nós. Então, não diga que ela disse que os homens não são importantes, se dizer assim, então assuma que é você que diz, entretanto não é minha avó que disse isso. Entendeu? Agora vamos para história do encontro.
      Um dia numa quarta-feira- naquele tempo que fora ainda órfão no Brasil, eu andava no estremo direito de pátio do Campus da Liberdade e minha cabeça estava num lugar pensando na mama Clara, na pátria de Cabral. Era por volta das dez horas e alguma coisa. Por espanto, vi uma menina ou uma senhora. Talvez já a conhecia de rosto um dia, ela podia ter vinte e bocadinho de anos.  Mas, tinha coração de algumas mulheres de setenta. A senhora ia xerocar um texto da sociologia na Xerox de Liberdade.
Ela andava no corredor esquerdo da Liberdade, aquele que iniciou a frente de sala dos professores até fim de parede da biblioteca. Logo, quando nossos olhos se encontraram, vi nela a cara de uma mulher guerreira, lutadora e principalmente uma verdadeira mãe. Também, a solidariedade, a humildade e a amizade cheiravam no rosto dela.  O corpo dela cantava sorriso e mostrava uma moça de bom coração.  Nos meus olhos ela é bonita, elegante e vaidosa.  Dizem que quando chegara à UNILAB, havia duas dúzias de moços que a queriam namorar. 
Então, chamei-a de longe e fiz gesto de ela me esperar, e ela sem mistério parou. Desse modo, indo ao encontro dela no caminho notei que provavelmente ela era uma das filhas da mama Guiné. Porque as filhas e os filhos da mama Guiné são fáceis de reconhecer, nem se for numa escuridão. Têm aquele rosto de alegria que nenhuma outra mulher pariu neste mundo.  Cheguei sem lhe cumprimentar, logo, inquiriu-lhe o nome, e ela respondeu gentilmente:
 - Chamo-me Peti Mama!
Sorrindo como mama Clara. Naquela hora, meu coração saltou de alegria e meu corpo respirou de contentamento. Em seguida, contei-a meu nome. Naquele instante, lembrei-me da dona Maria que me disse que se eu chegara à terra dos românticos, antes de arrumar uma namorada de lembrar-se de arranjar uma mãe.
Porque as namoradas, às vezes, são viajantes, se vieram de manhã possivelmente à tarde viajarão para outro destino. Quanto às mães são eternas, por mais que viajem, levam os filhos no coração e na alma. Dessa forma, disse-lhe que prefiro chamá-la de mãe ou mana, mas não pelo nome. E ela sem rodeio topou a iniciativa. Em seguida chamou-me de filho. E me abraçou, naquele instante, sentia abraço de uma mulher valente no espírito e forte na alma. Também, notei que ela era uma mulher que podia fazer papel da mãe e do pai. Como maiorias das mulheres da minha terra. Sinceramente as mulheres da minha Guiné são superiores aos seus homens. Falo de novo as mulheres da mama Guiné são superiores aos seus homens. Porque os homens só podem fazer papel do pai, embora incompleto. Meu leitor, se não acredite em mim. Portanto, faça uma pesquisa com dois meninos órfãos da minha pátria. No entanto, um deve ser órfão de pai e outro de mãe. O seu resultado mostrará que aquele órfão de pai só é órfão por sombra, contudo quase não é. Porque a mãe sempre desempenhará papel do pai. Enquanto aquele órfão de mãe é totalmente órfão.  Ou dizendo é como se ele fosse órfão da mãe e do pai.
 Realmente, desde que nasci até nesta madrugada, trinta de janeiro, em que estou escrevendo esta história nunca vi uma mãe que disse ao filho ou à filha de manhã que não há dinheiro de mata-bicho, depois ir comprar pão com leite na vira costa ou ir comprar futi para comer e deixar os filhos com a barriga vazia em casa.  Repito nunca vi isso nem ouvi. Porém já presenciei uma história de um pai que morava no bairro de Belém em Bissau que disse ao seu filho que não havia dinheiro de mata-bicho, depois ele foi comprar futi na feira de caracol. Como Deus gosta das crianças, ele comeu e limpou a boca, no entanto, um garam di bianda ficava na barba e também boca dele estava suja de siti, então quando ele chegou a casa, o filho viu isso e disse:
- credo, papa! Você tinha dito que não há dinheiro para nos comprar pães de mata-bicho, mas você tem dinheiro de comprar futi para comer e nos deixar com a fome. Não acredito nisso, papa!
- Huuuuum, não comi nada, meu filho! Como é que vou comer alguma coisa e vos deixar com a fome em casa? Nunca vou fazer isso, filho, eu não tenho coração de maldade.  
- Então, papa, deixa-me tirar esse garam di bianda na sua barba para eu comer e também aproveitarei para limpar esta sua boca que está suja de siti.
- Hoooooo! Filho tenha certeza de que eu não comi nada! Foi uma moça que me deu esse garam para eu lhe trazer.
- Obrigado, papa! Siti também é para mim?
-sim, sabe, eu gosto de ti!
Vejam esse tipo de pai que tem a coragem de comer futi e deixar os filhos com a fome, depois dizendo que ele não comeu nada, se ele não comeu, onde saiu aquele garam di bianda na barba dele? Esse garam saltou e sentou na barba do gajo? Também onde saiu aquele siti que está brilhando na boca dele? Porra páaaa! Há pais que não merecem este título, porque um pai deve ter um bom caráter e responsabilidade. Um pai sem caráter não deve ser chamado de pai. Porque ser pai é uma coisa nobre, não de brincadeira. Como é possível um pai ir comprar futi para comer e deixando estomago chorando com os filhos em casa? Acredito que desde que tomamos a independência até a data presente se nossos presidentes fossem todas presidentas talvez nenhuma criança não chorasse de fome hoje nesta pátria. Pois se barriga de uma mulher está cheia, então do filho está mais cheia ainda. Desculpe leitor, por eu ter perdido tempo com a história de pai sem caráter. Agora, voltaremos para a história de encontro.    
 Estávamos à frente da porta da biblioteca de Liberdade, onde às vezes, vendem-se livros usados.
E alguns meninos guineenses estavam a uns metros de nós, discutindo sobre instabilidade política na Guiné-Bissau. Alguns culpavam os militares; e outros, os políticos. No entanto, havia um que talvez já estudasse coisa das leis antes de vir para cá ou era um jovem ativo nas associações juvenis do país. Por outro lado, parecia alguém que ia jardim na infância. Porque, de modo como ele analisava e argumentava, era diferente dos colegas que se limitavam somente em culpar, mas sem apontar algumas causas. E ainda, as suas caras mostravam que não pretendiam voltar-se para a querida Guiné. Ele era um jovem bonito e esperto, no meu olhar será um grande Amílcar Cabral no futuro. Ele além de culpar os políticos também disse que a democracia se faz com os democratas, e não ao contrário.
No entender dele nossos políticos são mais antidemocratas em vez de serem democratas. Porque, quando estão no poder, veem os adversários como inimigos e tentam eliminá-los a todo custo. Estes também por sua vez lutam para derrubá-los no poder. Sem  entender que é o povo que os colocaram no poder. Ainda, disse que, no dia que ele terminar estudo no Brasil, logo no dia seguinte, estaria no caminho para a pátria de Cabral. Porque todo cidadão deveria dar a energia pela pátria onde nascera. Eu, embora não participava naquele debate, porque estava ocupado, sobrescrevo a visão deste menino. Porque, naquele momento, eu e minha mãe Peti estávamos falando sobre coisas da mãe e filho. Então, por surpresa, ela começou fazendo-me algumas perguntas. Primeiro, perguntou-me como andava as aulas, e falei-lhe que tudo andava bem graças a Deus. Depois me disse se eu tinha dinheiro de comer no restaurante universitário.
Também lhe disse que tinha, porque eu preferia deixar de comprar sapato ou calça. Portanto, o que tem a ver com a comida se Deus quiser não me faltará. Ainda, disse-me se a saúde ia bem comigo, e informei-a que meu corpo estava são como mancarra. Entretanto, no fim daqueles inquéritos que ela me fazia, lembrei que eram os mesmos que querida Clara me fazia quando ela ligava de Bissau. Ou eram aqueles que qualquer uma boa mãe fazia para seu filho ou sua filha. Naquela hora, percebi que senhora Peti era uma excelentíssima mãe e também era quase mama Clara. Realmente dizem que cada pessoa tem a sua parceira neste mundo. Assim, falei na memória de que ela era sem dúvida parceira da minha Clara. Se houvera a diferença entre ambas, talvez seja a única por fora, porque Clara parecia mais alta do que ela. Mas por dentro totalmente são iguais. Coração delas praticamente é a mesma. Também, o espírito de amar é idêntico, assim vai. Então, meia hora depois ela despediu-me com beijo na testa e disse para eu cuidar. Porque estou na terra da gente, também me  falou para eu aconselhar no estudo e foi para Xerox.
No entanto, quando ela foi, sentia honrado de ter conhecido uma pessoa tão amável quanto ela. Em seguida lembrei-me das minhas quartas-feiras. Era numa quarta-feira na entrada da tardinha que nasci na terra de Tombali.  Também era numa quarta-feira que viajei de terra de Titina Sila para Bissau. Era numa quarta-feira que fiz teste de bolsa da UNILAB. Ainda, era numa quarta-feira que viajei de Dacar para Brasil. E hoje quarta-feira, por surpresa, tenho mãe na terra do Lula que era mãe como qualquer outra. E por fim, lembrei-me daquela quarta-feira que Afumolo-grande foi de uma vez, esta foi acidente. No entanto, às quartas-feiras são boas. Em seguida, fui almoçar no restaurante universitário. Naquele dia, havia uma longa fila, era preciso ter tanta paciência para encará-la. Dessa forma, trinta e alguns minutos naquela fila consegui comprar a ficha, já servindo a comida pelo visto.
Desconfiei que aquela comida desse mais por mal em vez do bem. Era no tempo daquela empresa que, às vezes, um dia certara e outro dia não. Então, quando acabei de servir a comida, logo na primeira colherada, desiste dela. Só quem morreria de fome que ia comê-la. Arroz não estava bom, além de molho que faltava e uns ingredientes segundo meu paladar. Embora não tenha comido, aquele beijo na testa da minha mãe Peti alimentou-me. Depois daí, fui para laboratório da informática, quando cheguei, abri computador. Já acessando facebook, por surpresa, recebi um pedido especial de amizade que era dela.  Eu que nunca negara amizade do um ser humano no facebook.

Então, não seria dela que ia negar, aceitei e logo enviei mensagem agradecendo. E ela respondendo que filho não devia agradecer à mãe. Porque era direito desta com filho. Realmente minha grandiosa mãe, amiga e tudo. Se eu poderia, abrir-te-ia meu coração para você dormir-se e descansar-se deste maldito sol de Redenção que queima como fogo. Também, se você morasse na Rússia, naquele maldito frio, dar-te-ia meu corpo para acender fogo e aguentar o frio. Viva mama Guiné! Viva mulher guineense! 


Redenção-Ce, 30 de janeiro de 2016.


sábado, 8 de abril de 2017


 

Samuel Adelino Ié, graduando em Humanidades 
pela Universidade da Integração da Lusofonia
 Afro-Brasileira - UNILAB, Brasil.














26/03/2017


FILME-COMÉDIA: O LIVRO NÃO SE JULGA PELA CAPA

 
 PRIMEIRO EPISÓDIO

Tudo começou num jardim infantil de uma pequena cidade chamada Gâ-Mamudu, na região de Oio, norte da Guiné-Bissau.
Duas crianças que se sentavam na mesma carteira se conhecem, daí começaram uma amizade forte, elas eram um rapaz e uma menina. O rapaz se chamava CATEN RAÇA e tinha 10 anos de idade, enquanto que a menina se chamava RAÇA PA KE e tinha 09 anos de idade. Ele veio de uma cidadezinha do setor de Gã-Mamudu chamada TIRA CAMISA; e ela, de outra chamada SINTA BU DJUBI.
Os pais do rapaz são NEGROS e tinham amor forte pelo filho, CATEN RAÇA, em quem prestavam sempre atenção, sendo único filho que tinham, por isso, sempre que o filho necessitava de alguma coisa, os dois se sentavam para conversar com ele sobre o que lhes pediu.
Enquanto que os pais da menina RAÇA PA KE são BRANCOS e gostavam muito dela, portanto os pais acompanhavam-na sempre que ia à escola.
Passados dois anos dessa amizade, as famílias dos dois mudaram para capital, Bissau, com o objetivo de permitir os filhos a continuarem os seus estudos, felizmente foram matriculados na mesma escola e, por coincidência, na mesma sala; mas tanto os pais assim como as duas crianças não sabiam que foram matriculados na mesma escola e estando na mesma sala. Como é de costume, no primeiro dia de aulas, os pais levam os filhos para conhecer a escola e os professores. O primeiro a chegar foi RAÇA PA KE e, passando alguns minutos, chegou CATEN RAÇA, acompanhado dos seus pais; quando os dois se avistaram, correram e abraçaram-se, nessa situação, os pais ficaram parados olhando só para eles e depois se dirigiram a eles. Assim, cada criança apresentou seus pais explicando tudo de como se conheceram, daí os pais ficaram todos contentes, e a partir desse momento eles passaram a se relacionar muito bem.
No decorrer dessa amizade forte entre os dois meninos, o rapaz já com 19 anos de idade, e a menina com 18 anos, os dois começaram a sentir algo por um ao outro; mas nenhum deles tinha coragem de enfrentar o outro para explicar o seu sentimento. Cada um tinha esse peso na cabeça.  Passando duas semanas, entraram em férias, mas sempre se comunicavam pelo celular. Já com o retorno às aulas, cada um trouxe na mochila uma carta com palavras românticas contendo desenhos e nome. Contudo, o maior problema está na forma de entregar estas cartas, mas como costumavam trocar mochila, ou seja, as pastas, logo depois do intervalo, decidiram trocar a mochila, dessa forma cada um resolveu colocar a carta na mochila do outro.
Depois de retornarem à sala de aula, cada um pegou sua mochila e percebeu logo algo estranho, mas ninguém disse nada; cada um conseguiu somente em casa abrir a carta e ler tudo, assim, ficaram apaixonados pelo conteúdo da carta. No dia seguinte, RAÇA PA KE dirigiu-se logo ao CATEN RAÇA e disse-lhe: – olha, nós já nos conhecemos desde a nossa infância, acho que nada pode nos separar a não ser a morte, por isso, quero ser a tua namorada. E a resposta do rapaz foi satisfatória, daí passaram a namorar. Entretanto, fora dois anos de namoro sem que os pais descobrissem que havia algo entre eles, tudo porque é de conhecimento dos pais o relacionamento dos dois desde jardim, pelo que não era tão fácil perceber que eram namorados.
            Depois que os pais tivessem essa informação do namoro entre os filhos, numa certa noite os pais de CATEN RAÇA chamaram o filho para conversar com ele, perguntando-lhe o que sente pela menina, e o filho disse que sente algo inexplicável por ela desde a infância que passaram juntos e disse que gostaram muito de um e outro. A mãe perguntou ao filho se em nenhum momento a menina não falou sobre a cor da pele dele, e o filho respondeu à mãe que não e que ele também nunca falou nada para ela sobre a cor da pele até porque cada um sabe que tem cor diferente, mas isso não implica nada o importante é saber respeitar essa diferença e o amor.
Já os pais de RAÇA PA KE resolveram organizar um banquete em casa em família e aproveitaram a ocasião para perguntar à filha deles sobre o porquê de decidir namorar com aquele JOVEM NEGRO. Porém, Logo depois que os pais disseram NEGRO, a filha respondeu: - não é nome dele!   O nome dele é CATEN RAÇA. Assim, a menina começou a chorar, abandonou a sala e foi para o quarto. Com esta atitude dela, os pais ficaram preocupados e tentaram conversar com a filha, mas não conseguiram convencê-la, daí resolveram ligar para o avô e a avó (pais do pai da menina) pedindo aos dois que viessem logo para a casa, estes avós tinham um grande amor pela neta. Depois de eles chegarem à casa, foram logo para o quarto da neta, onde conversaram com ela e convenceram-na para sair do quarto e ir à sala, onde todos se sentaram. 

Os avós culparam e criticaram muito os pais sobre suas atitudes que tiveram com a menina, mostrando-lhes que não deviam se comportar daquela forma, argumentando que a cor da pele não tem nada haver com o relacionamento e que, por isso, devem deixar a filha relacionar-se com quem quiser desde que ela gosta. Despois desta chamada de atenção dos avós, os pais mudaram seus comportamentos e passaram orientar a filha em como deve cuidar do seu namorado, até que um dia pediram à filha que convidasse seu namorado e os pais dele para um jantar de confraternização.

sábado, 1 de abril de 2017





Valeriano Djú é graduado em contabilidade pela 

Escola Nacional da Administração (ENA) em 2011/2012. Atualmente, Graduando no curso de Bacharelado em Humanidade (BHU), pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB. Desde muito cedo, apaixonou-se pela escrita como arma para libertação dos oprimidos, trazendo para a sociedade reflexões, criticas, através da sua aventura nos poemas, contos, fabulas e crônicas.







O MACACO E A TARTARUGA

Numa tabanca chamada Ulipil, havia edições de maratona a cada ano. Dentre os inscritos, sempre se contava com a presença de um macaco, uma tartaruga, um sapo e um camaleão. Como o macaco era mais rápido em relação aos demais inscritos, todos estavam confiantes nele, tanto os torcedores, quanto a imprensa. Ele era a figura escolhida para publicidade nas revistas, nos jornais e cartazes. Assim, o macaco era mais exaltado que todos, porque era conhecido como o campeão mundial das maratonas.
 Os empresários eram uma zebra e um cavalo, que sempre iam junto dos outros animais para desencorajá-los. Diziam-lhes:
- Vocês não têm capacidade para enfrentar o macaco nessa maratona! É preciso que tomem os nossos pés por empréstimo! E se ganharem, a taça e mais 40% do valor de prêmio fica para nós. Os outros animais aceitavam a proposta dos dois empresários. Porém, sempre nos momentos da corrida, não surgiam os efeitos que lhes eram prometidos pelos empresários e acabavam por perder a maratona, porque não conseguiam se adaptar ao terreno da corrida com os pés emprestados. O macaco ganhava sempre a corrida. Assim, para pagar as dívidas, estes animais tinham que entregar as suas casas e outros bens aos empresários por um determinado tempo.
Passando alguns períodos de tempo, na edição a seguir, ao se inscreverem de novo, vieram a zebra e o cavalo com suas novas propostas motivando os derrotados nas edições anteriores. Mas desta vez sapo e camaleão aceitaram as propostas. E a tartaruga por sua vez decidiu recusá-las e optou-se pela utilização da sua própria técnica para ganhar a corrida. Preocupada com a situação de não querer emprestar os pés de outros animais, ele decidiu refletir profundamente e acabou por apostar-se em si mesma, disse para si:
- Na verdade sou muito mais lento em relação ao macaco. Já emprestei os pés dos outros várias vezes e em nada isso me resultou. Mesmo emprestando de novo, não vou conseguir me adaptar nesse curto espaço de tempo!
-Agora o que devo fazer para ganhar essa corrida com os meus próprios pés? Indagou a tartaruga.
Ele pensou, pensou e não achou nenhuma solução! Então disse:
- Desde o momento em que eu era pequenininha, a minha mãe sempre me dizia que era neta da dona caracol. Vou para sua casa, talvez ela acharia uma solução para o meu caso! Pois ela é a mais velha e tem mais experiência de vida do que mim. Com certeza, teria solução para mim!
Assim, decidiu ir à casa da avó para pedir-lhe um conselho.
Quando chegou à casa da sua avó, contou-lhe toda a sua preocupação. E a dona por sua vez riu-se:
- Kakakakakakakakaaaaaaa...h!
E disse-lhe:
-É só isso, minha querida! Exclamou vovó.
- Não te preocupes tanto, minha querida! Vamos achar uma solução agora mesmo! Acrescentou a avó.
A avó ficou pensativa por um certo tempo e depois disse à neta:
- Sabes que o macaco adora bananas? Vai e procure bananas. Na véspera da corrida, levanta-te de madrugada e distribui-as na estrada.
A tartaruga toda satisfeita pelo conselho da avó, ao voltar para casa, começou a cantar:
Estin nganan ba oh,
Estin nganan ba oh,
Ma es bias ndjurmenta
Di kuma estin kana nganan mas!
Pabia gosi nsibi kuma
 Kil ki di mi tem balur,
I tem balur oh,
Nfala i tem balur!

Quando faltava uma semana para o grande embate da maratona, a tartaruga foi procurar bananas na horta do seu pai.
E o macaco confiante sempre na vitória, não se importava em fazer treino. Sem saber da estratégia montada pelo seu adversário tartaruga, ele exaltava-se:
- Eles nunca vão conseguir me derrotar! Porque sou mais rápido que eles e tenho tudo para continuar a ganhar!
Porém na véspera da prova, a tartaruga levantou-se de madrugada e fez tudo quanto tinha sido orientado pela avó.
No dia da partida, todos os torcedores começavam a gritar:
-Viva macaco! Viva macaco...!
 Quando os atletas estavam se aquecendo, intensificaram-se ainda mais os gritos a favor da vitória do macaco. E a tartaruga por sua vez através da estratégia montada, riu-se baixinho:
- Rsrsrsrsrsrs!
Quando se deu o apito inicial da partida, o macaco, o sapo e o camaleão partiram com uma velocidade enorme, e a tartaruga com os seus passos lentos, mas seguros, ficou correndo atrás deles.
Durante os primeiros minutos, a disputa era entre o sapo e camaleão e, em terceira posição, estava o macaco. Mas como o ritmo era tão forte, durante uma hora, os dois primeiros protagonistas, o sapo e camaleão, não conseguiram aguentar, acabaram por cair no caminho, desmaiados. Neste momento, prosseguia o macaco na frente. Mas, de repente, deu-se com as bananas, logo parou-se e começou a comê-las.
O macaco comeu tanto que a barriga ficou cheia, assim, não conseguiu continuar para terminar a maratona, ele começou a se sentir preguiçado e aos poucos acabou por adormecer.
Por sua vez, a tartaruga seguia-se lentamente e acabou por isolar-se no percurso sem ter nenhum adversário com quem podia disputar o título da maratona.
Assim, a corrida foi dela. Nessa situação, todo mundo ficou admirado e com água na boca, exclamando:
- É sério! Ela ganhou! Como é que isso foi possível!
A partir desse momento, ela passou a merecer o respeito de todos. E começou a andar com a sua casa. Conseguiu livrar os seus parentes da fome, pobreza e miséria. Da sua família, cada um ao nascer já nasce com sua casa pronta. Assim, ela tornou-se o mais famoso entre os outros. Pois a sua vitória surpreendeu o mundo.