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sábado, 28 de outubro de 2017






Bruno João Cá é graduando do curso de Letras - Língua Portuguesa da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB


Email: brunovas94@gmail.com






ANÁLISE CRÍTICA E REFLEXIVA DO LIVRO A PEDAGOGIA DA AUTONOMIA (PAULO FREIRE)


Os saberes que a aqui vou me deter a discutir, são os que julguei ser necessários para a prática educativa que se alia com o processo de desenvolvimento humano e aprendizagem. Esta análise terá um cunho forte da minha visão holística que construí do livro, na qual acredito e consigo ver as possibilidades de aplicabilidade e/ou cumprimento desses saberes por intermédio da prática educativa adotada pelo educador e partilhada pelos educandos.
            De início, o título do livro serviu de suporte para todos os saberes que ao longo da progressão da escrita ganharam corpo no todo escrito, o livro. Pois, é na base desse conceito de autonomia que o autor busca mobilizar diversas técnicas, modos de apropriações técnicos, de habilidades e atitudes que um docente e/ou um discente precisa se dispor para adquirir essa autonomia. A pedagogia como sendo um ramo da educação que se preocupa com as formas e os modos de ensinar, e essa está no processo recíproco do ensino e aprendizado que, entra como um componente fundamental que se alia com o conceito de autonomia que é a linha mestra que move todo o livro.
No entanto, um educador precisa no exercício do seu papel acima de tudo ser coerente, ora, não defender uma visão X e na prática de exercer a visão Y. A coerência entra como um saber indispensável na prática educativa do educador como mecanismo delineador de um ponto de vista e de um modo de se apresentar na presença dos alunos e honrar seus compromissos. Quando um ser é coerente, ele leva sério acima de tudo, o cumprimento ético, que não o deixa transgredir, embora que possa, os direitos do outro e o respeito à autônima desse outro. Caso específico, que estamos a tratar, o educador que deve por conta da ética, respeitar a dignidade e a própria autonomia do educando.
            Desta forma, este educador deixa de ser um absolutista, o senhor da verdade. E passa a lidar com o ato de ensinar não como uma mera atividade mecânica de transmitir conhecimento, mas, sobretudo, enxerga no educando como um sujeito que juntos criam possibilidades para produção e construção desse conhecimento por ele a ser ensinado. Nos dizeres de Paulo Freire, teríamos o seguinte, “[…] quem forma e re-forma se forma e quem é formado forma-se e forma ao ser formado” (FREIRE, 1996, p.12), o que colabora com a ideia de (MARINHO-ARAUJO, 2004, p.63) quando afirma que “[…] o papel do professor deve ser o mediador entre os conhecimentos que são culturalmente acumulados, mas que devem ser individualmente apropriados e transformados na aprendizagem.” Mostrando que a efetividade do aprendizado não está naquilo que é ensinado, mas na forma de ingerir esse ensinamento pelo indivíduo ensinado.
            Isso tudo se torna possível quando, enquanto educador respeitamos a capacidade de curiosidade dos nossos educandos, ao acreditarmos que não é memorizando que se aprende, mas quando se cria um juízo crítico a respeito do que nos é posto como forma a seguir ou verdades cristalizadas. Sendo assim, uma das condições necessárias para o pensar certo seria, “não estarmos demasiados certos […] estarmos abertos e aptos a produção de conhecimento ainda não existente, por meio do ensinar, aprender e pesquisar”. (FREIRE, 1996, p.14)
            Se o educador sabe que ensinar não se restringe só a um mero ato de transmitir conhecimento, todavia, construir, produzir junto como o educando esses saberes/conhecimentos, o cenário da sala de aula precisa ganhar também uma nova roupagem. O incentivo a participação, a visão crítica, a valorização da vivência do educando, as perguntas instigadoras e curiosidade, ou seja, tornar-se a prática docente uma aventura, acreditando na possibilidade de que “[…] ninguém se desenvolve sozinho, todo desenvolvimento pessoal é um elo na cadeia de desenvolvimento da sociedade”. (Oliveira, 2012, p.36). No entanto, na medida em que as aventuras não se acabam, assim também a construção do ser humano é inacabado e não isolado, faz-se socialmente, e essa busca continua de se construir, necessita de métodos de aprendizagem solidário, sob os quais “É fundamental que o professor considere, no seu planejamento, uma constante articulação entre o conhecimento cotidiano e informal, construído pelas práticas sociais do contexto cultural das pessoas, mas também o conhecimento científico e formal, transmitido pela aprendizagem escolar.” (MARINHO-ARAUJO, 2004, p.84).
            Os educadores, assim como os educandos, precisam ser movidos pelo espirito revolucionário. Movidos por este espírito, buscarão a transformação e não a manutenção do status quo, seja ele social ou educacional impregnado. Desta feita, as suas reivindicações não resultam a queixa como um simples ato de resignação, mas a busca de um juízo crítico que cria autonomia e os faz ultrapassar o problema (Mota, 2005). A transformação que assim queira ser instaurado precisa de uma preparação, isso faz de um educador um sujeito que deve ser capacitado cientificamente, de modo que, a “sua incompetência profissional desqualifica a sua autoridade” (FREIRE, 1996, p. 36)
             A Liberdade é uma prática que o professor enquanto educador deve incentivar, por isso deva evitar tomar o educando como mero repetidor, pois, segundo (FREIRE, 1996, p. 41) “ninguém amadurece de repetente aos 25 anos”. O educador nunca deve ser ingênuo de pensar que educação como forma de intervir no mundo, deixa de ser uma atividade política, como reitera Paulo Freire, “a educação é política” (FREIRE, 1996, p.42).
            Os saberes que precisam tanto educadores e educandos para aperfeiçoar a prática educativa, seria nada mais que saber despertar “afetividade”, alegria, capacidade científica, domínio técnico a serviço da mudança […], pois como homens e mulheres somos seres “programados, mas para aprender” e, portanto, para ensinar, para conhecer, para intervir […]” (FREIRE, 1996, p.43-44) por esta razão, precisamos no ato de ensinar e apender ser motivos por nossos sentimentos e emoções que darão sentidos as nossas ações pedagógicas.
            Devemos firmar a nossa “prática educativa como um exercício constante em favor da produção e do desenvolvimento da autonomia de educadores e educandos.” Como melhor forma de intervir no mundo e poder adaptá-lo aos nossos moldes não a forma pré-dadas. Por esta razão, estou concordando em parte com a concepção interacionista, quando afirma que

[…] a história das pessoas e suas interações com seus grupos sociais influenciam o modo como se desenvolvem e como vão transformando a realidade pela sua ação. O desenvolvimento e a aprendizagem são processos construídos dinâmica e interativamente, durante toda a vida: esses processos não estão prontos ao nascer e nem são adquiridos passivamente.  (MARINHO-ARAUJO, 2014, p.61)

Aqui constatamos a capacidade do amadurecimento e de construção autônomo que um ser humano precisa para o seu desenvolvimento e construir seus aprendizados, recebendo da sua convivência com o outro, juntando com a sua pré-disposição de saber e constrói saberes e conhecimentos autônomos com alicerces por ele mesmo criado.

Referências Bibliográficas

FERNÁNDEZ, Alicia (1994). A queixa da professora.  In: Fernández, Alicia. A Mulher Escondida na Professora. Porto Alegre: Artes Médicas.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
Lopes de Oliveira, M. C. S. (2012). O adolescente em desenvolvimento e a contemporaneidade. In: Curso de prevenção do uso indevido de drogas para educadores de escolas públicas (p. 34-44). Brasília: MEC/SENAD/UnB.
MARINHO-ARAUJO, C. M. . (2014) Concepções Psicológicas sobre Desenvolvimento Humano presente no processo Ensino-Aprendizagem. In: Cynthia Bisinoto. (Org.). Docência na Socioeducação. 1ed. Brasília, v. 1, p. 53-65.
________________Interdependência entre aprendizagem e desenvolvimento. (2014). In: Cynthia Bisinoto. (Org.). Docência na Socioeducação. 1ed. Brasília, v. 1, p. 73-86.
MOTA, Márcia Elia da. (2005). Psicologia do desenvolvimento: uma perspectiva histórica. Temas em Psicologia13(2), 105-111.


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