Bruno João Cá é graduando do curso de Letras - Língua Portuguesa da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB
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ANÁLISE CRÍTICA E REFLEXIVA DO LIVRO A
PEDAGOGIA DA AUTONOMIA (PAULO FREIRE)
Os
saberes que a aqui vou me deter a discutir, são os que julguei ser necessários para a prática educativa que se alia com
o processo de desenvolvimento humano e aprendizagem. Esta análise terá um cunho
forte da minha visão holística que construí do livro, na qual acredito e
consigo ver as possibilidades de aplicabilidade e/ou cumprimento desses saberes
por intermédio da prática educativa adotada pelo educador e partilhada pelos
educandos.
De início, o título do livro serviu
de suporte para todos os saberes que ao longo da progressão da escrita ganharam
corpo no todo escrito, o livro. Pois, é na base desse conceito de autonomia que
o autor busca mobilizar diversas técnicas, modos de apropriações técnicos, de
habilidades e atitudes que um docente e/ou um discente precisa se dispor para
adquirir essa autonomia. A pedagogia como sendo um ramo da educação que se
preocupa com as formas e os modos de ensinar, e essa está no processo recíproco
do ensino e aprendizado que, entra como um componente fundamental que se alia
com o conceito de autonomia que é a linha mestra que move todo o livro.
No
entanto, um educador precisa no exercício do seu papel acima de tudo ser
coerente, ora, não defender uma visão X e na prática de exercer a visão Y. A
coerência entra como um saber indispensável na prática educativa do educador
como mecanismo delineador de um ponto de vista e de um modo de se apresentar na
presença dos alunos e honrar seus compromissos. Quando um ser é coerente, ele
leva sério acima de tudo, o cumprimento ético, que não o deixa transgredir,
embora que possa, os direitos do outro e o respeito à autônima desse outro.
Caso específico, que estamos a tratar, o educador que deve por conta da ética,
respeitar a dignidade e a própria autonomia do educando.
Desta
forma, este educador deixa de ser um absolutista, o senhor da verdade. E passa
a lidar com o ato de ensinar não como uma mera atividade mecânica de transmitir
conhecimento, mas, sobretudo, enxerga no educando como um sujeito que juntos
criam possibilidades para produção e construção desse conhecimento por ele a
ser ensinado. Nos dizeres de Paulo Freire, teríamos o seguinte, “[…] quem forma
e re-forma se forma e quem é formado forma-se e forma ao ser formado” (FREIRE,
1996, p.12), o que colabora com a ideia de (MARINHO-ARAUJO, 2004, p.63) quando
afirma que “[…] o papel do professor deve ser o mediador entre os conhecimentos
que são culturalmente acumulados, mas que devem ser individualmente apropriados
e transformados na aprendizagem.” Mostrando que a efetividade do aprendizado
não está naquilo que é ensinado, mas na forma de ingerir esse ensinamento pelo
indivíduo ensinado.
Isso tudo se torna possível quando,
enquanto educador respeitamos a capacidade de curiosidade dos nossos educandos,
ao acreditarmos que não é memorizando que se aprende, mas quando se cria um
juízo crítico a respeito do que nos é posto como forma a seguir ou verdades
cristalizadas. Sendo assim, uma das condições necessárias para o pensar certo
seria, “não estarmos demasiados certos […] estarmos abertos e aptos a produção
de conhecimento ainda não existente, por meio do ensinar, aprender e
pesquisar”. (FREIRE, 1996, p.14)
Se o educador sabe que ensinar não
se restringe só a um mero ato de transmitir conhecimento, todavia, construir,
produzir junto como o educando esses saberes/conhecimentos, o cenário da sala
de aula precisa ganhar também uma nova roupagem. O incentivo a participação, a
visão crítica, a valorização da vivência do educando, as perguntas instigadoras
e curiosidade, ou seja, tornar-se a prática docente uma aventura, acreditando
na possibilidade de que “[…] ninguém se desenvolve sozinho, todo
desenvolvimento pessoal é um elo na cadeia de desenvolvimento da sociedade”. (Oliveira, 2012, p.36). No entanto, na
medida em que as aventuras não se acabam, assim também a construção do ser
humano é inacabado e não isolado,
faz-se socialmente, e essa busca continua de se construir, necessita de métodos
de aprendizagem solidário, sob os quais “É fundamental que o professor
considere, no seu planejamento, uma constante articulação entre o conhecimento
cotidiano e informal, construído pelas práticas sociais do contexto cultural
das pessoas, mas também o conhecimento científico e formal, transmitido pela
aprendizagem escolar.” (MARINHO-ARAUJO, 2004, p.84).
Os educadores, assim como os
educandos, precisam ser movidos pelo espirito revolucionário. Movidos por este
espírito, buscarão a transformação e não a manutenção do status quo, seja ele social ou educacional impregnado. Desta feita,
as suas reivindicações não resultam a queixa como um simples ato de resignação,
mas a busca de um juízo crítico que cria autonomia e os faz ultrapassar o problema
(Mota, 2005). A transformação que assim queira ser instaurado precisa de uma
preparação, isso faz de um educador um sujeito que deve ser capacitado
cientificamente, de modo que, a “sua incompetência profissional desqualifica a
sua autoridade” (FREIRE, 1996, p. 36)
A Liberdade é uma prática que o professor
enquanto educador deve incentivar, por isso deva evitar tomar o educando como
mero repetidor, pois, segundo (FREIRE, 1996, p. 41) “ninguém amadurece de
repetente aos 25 anos”. O educador nunca deve ser ingênuo de pensar que
educação como forma de intervir no mundo, deixa de ser uma atividade política,
como reitera Paulo Freire, “a educação é política” (FREIRE, 1996, p.42).
Os saberes que precisam tanto
educadores e educandos para aperfeiçoar a prática educativa, seria nada mais
que saber despertar “afetividade”, alegria, capacidade científica, domínio
técnico a serviço da mudança […], pois como homens e mulheres somos seres
“programados, mas para aprender” e, portanto, para ensinar, para conhecer, para
intervir […]” (FREIRE, 1996, p.43-44) por esta razão, precisamos no ato de
ensinar e apender ser motivos por nossos sentimentos e emoções que darão
sentidos as nossas ações pedagógicas.
Devemos
firmar a nossa “prática educativa como um exercício constante em favor da
produção e do desenvolvimento da autonomia de educadores e educandos.” Como
melhor forma de intervir no mundo e poder adaptá-lo aos nossos moldes não a
forma pré-dadas. Por esta razão, estou concordando em parte com a concepção
interacionista, quando afirma que
[…] a história das pessoas e suas
interações com seus grupos sociais influenciam o modo como se desenvolvem e
como vão transformando a realidade pela sua ação. O desenvolvimento e a
aprendizagem são processos construídos dinâmica e interativamente, durante toda
a vida: esses processos não estão prontos ao nascer e nem são adquiridos
passivamente. (MARINHO-ARAUJO, 2014, p.61)
Aqui constatamos a
capacidade do amadurecimento e de construção autônomo que um ser humano precisa
para o seu desenvolvimento e construir seus aprendizados, recebendo da sua
convivência com o outro, juntando com a sua pré-disposição de saber e constrói
saberes e conhecimentos autônomos com alicerces por ele mesmo criado.
Referências
Bibliográficas
FERNÁNDEZ,
Alicia (1994). A queixa da professora. In: Fernández, Alicia. A Mulher Escondida na Professora. Porto Alegre: Artes Médicas.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.
São Paulo: Paz e Terra, 1996.
Lopes
de Oliveira, M. C. S. (2012). O adolescente em desenvolvimento e a
contemporaneidade. In: Curso de prevenção do uso indevido de drogas
para educadores de escolas públicas (p. 34-44). Brasília: MEC/SENAD/UnB.
MARINHO-ARAUJO,
C. M. . (2014) Concepções Psicológicas
sobre Desenvolvimento Humano presente no processo Ensino-Aprendizagem. In:
Cynthia Bisinoto. (Org.). Docência na
Socioeducação. 1ed. Brasília, v. 1, p. 53-65.
________________Interdependência entre aprendizagem e desenvolvimento. (2014). In:
Cynthia Bisinoto. (Org.). Docência na
Socioeducação. 1ed. Brasília, v. 1, p. 73-86.
MOTA, Márcia Elia da. (2005). Psicologia do desenvolvimento: uma
perspectiva histórica. Temas em Psicologia, 13(2),
105-111.

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