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sábado, 1 de abril de 2017





Valeriano Djú é graduado em contabilidade pela 

Escola Nacional da Administração (ENA) em 2011/2012. Atualmente, Graduando no curso de Bacharelado em Humanidade (BHU), pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB. Desde muito cedo, apaixonou-se pela escrita como arma para libertação dos oprimidos, trazendo para a sociedade reflexões, criticas, através da sua aventura nos poemas, contos, fabulas e crônicas.







O MACACO E A TARTARUGA

Numa tabanca chamada Ulipil, havia edições de maratona a cada ano. Dentre os inscritos, sempre se contava com a presença de um macaco, uma tartaruga, um sapo e um camaleão. Como o macaco era mais rápido em relação aos demais inscritos, todos estavam confiantes nele, tanto os torcedores, quanto a imprensa. Ele era a figura escolhida para publicidade nas revistas, nos jornais e cartazes. Assim, o macaco era mais exaltado que todos, porque era conhecido como o campeão mundial das maratonas.
 Os empresários eram uma zebra e um cavalo, que sempre iam junto dos outros animais para desencorajá-los. Diziam-lhes:
- Vocês não têm capacidade para enfrentar o macaco nessa maratona! É preciso que tomem os nossos pés por empréstimo! E se ganharem, a taça e mais 40% do valor de prêmio fica para nós. Os outros animais aceitavam a proposta dos dois empresários. Porém, sempre nos momentos da corrida, não surgiam os efeitos que lhes eram prometidos pelos empresários e acabavam por perder a maratona, porque não conseguiam se adaptar ao terreno da corrida com os pés emprestados. O macaco ganhava sempre a corrida. Assim, para pagar as dívidas, estes animais tinham que entregar as suas casas e outros bens aos empresários por um determinado tempo.
Passando alguns períodos de tempo, na edição a seguir, ao se inscreverem de novo, vieram a zebra e o cavalo com suas novas propostas motivando os derrotados nas edições anteriores. Mas desta vez sapo e camaleão aceitaram as propostas. E a tartaruga por sua vez decidiu recusá-las e optou-se pela utilização da sua própria técnica para ganhar a corrida. Preocupada com a situação de não querer emprestar os pés de outros animais, ele decidiu refletir profundamente e acabou por apostar-se em si mesma, disse para si:
- Na verdade sou muito mais lento em relação ao macaco. Já emprestei os pés dos outros várias vezes e em nada isso me resultou. Mesmo emprestando de novo, não vou conseguir me adaptar nesse curto espaço de tempo!
-Agora o que devo fazer para ganhar essa corrida com os meus próprios pés? Indagou a tartaruga.
Ele pensou, pensou e não achou nenhuma solução! Então disse:
- Desde o momento em que eu era pequenininha, a minha mãe sempre me dizia que era neta da dona caracol. Vou para sua casa, talvez ela acharia uma solução para o meu caso! Pois ela é a mais velha e tem mais experiência de vida do que mim. Com certeza, teria solução para mim!
Assim, decidiu ir à casa da avó para pedir-lhe um conselho.
Quando chegou à casa da sua avó, contou-lhe toda a sua preocupação. E a dona por sua vez riu-se:
- Kakakakakakakakaaaaaaa...h!
E disse-lhe:
-É só isso, minha querida! Exclamou vovó.
- Não te preocupes tanto, minha querida! Vamos achar uma solução agora mesmo! Acrescentou a avó.
A avó ficou pensativa por um certo tempo e depois disse à neta:
- Sabes que o macaco adora bananas? Vai e procure bananas. Na véspera da corrida, levanta-te de madrugada e distribui-as na estrada.
A tartaruga toda satisfeita pelo conselho da avó, ao voltar para casa, começou a cantar:
Estin nganan ba oh,
Estin nganan ba oh,
Ma es bias ndjurmenta
Di kuma estin kana nganan mas!
Pabia gosi nsibi kuma
 Kil ki di mi tem balur,
I tem balur oh,
Nfala i tem balur!

Quando faltava uma semana para o grande embate da maratona, a tartaruga foi procurar bananas na horta do seu pai.
E o macaco confiante sempre na vitória, não se importava em fazer treino. Sem saber da estratégia montada pelo seu adversário tartaruga, ele exaltava-se:
- Eles nunca vão conseguir me derrotar! Porque sou mais rápido que eles e tenho tudo para continuar a ganhar!
Porém na véspera da prova, a tartaruga levantou-se de madrugada e fez tudo quanto tinha sido orientado pela avó.
No dia da partida, todos os torcedores começavam a gritar:
-Viva macaco! Viva macaco...!
 Quando os atletas estavam se aquecendo, intensificaram-se ainda mais os gritos a favor da vitória do macaco. E a tartaruga por sua vez através da estratégia montada, riu-se baixinho:
- Rsrsrsrsrsrs!
Quando se deu o apito inicial da partida, o macaco, o sapo e o camaleão partiram com uma velocidade enorme, e a tartaruga com os seus passos lentos, mas seguros, ficou correndo atrás deles.
Durante os primeiros minutos, a disputa era entre o sapo e camaleão e, em terceira posição, estava o macaco. Mas como o ritmo era tão forte, durante uma hora, os dois primeiros protagonistas, o sapo e camaleão, não conseguiram aguentar, acabaram por cair no caminho, desmaiados. Neste momento, prosseguia o macaco na frente. Mas, de repente, deu-se com as bananas, logo parou-se e começou a comê-las.
O macaco comeu tanto que a barriga ficou cheia, assim, não conseguiu continuar para terminar a maratona, ele começou a se sentir preguiçado e aos poucos acabou por adormecer.
Por sua vez, a tartaruga seguia-se lentamente e acabou por isolar-se no percurso sem ter nenhum adversário com quem podia disputar o título da maratona.
Assim, a corrida foi dela. Nessa situação, todo mundo ficou admirado e com água na boca, exclamando:
- É sério! Ela ganhou! Como é que isso foi possível!
A partir desse momento, ela passou a merecer o respeito de todos. E começou a andar com a sua casa. Conseguiu livrar os seus parentes da fome, pobreza e miséria. Da sua família, cada um ao nascer já nasce com sua casa pronta. Assim, ela tornou-se o mais famoso entre os outros. Pois a sua vitória surpreendeu o mundo.





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