Valeriano Djú é graduado em contabilidade pela
Escola Nacional da Administração (ENA) em 2011/2012. Atualmente, Graduando no curso de Bacharelado em Humanidade (BHU), pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB. Desde muito cedo, apaixonou-se pela escrita como arma para libertação dos oprimidos, trazendo para a sociedade reflexões, criticas, através da sua aventura nos poemas, contos, fabulas e crônicas.
O MACACO E A TARTARUGA
Numa
tabanca chamada Ulipil, havia edições
de maratona a cada ano. Dentre os inscritos, sempre se contava com a presença
de um macaco, uma tartaruga, um sapo e um camaleão. Como o macaco era mais
rápido em relação aos demais inscritos, todos estavam confiantes nele, tanto os
torcedores, quanto a imprensa. Ele era a figura escolhida para
publicidade nas revistas, nos jornais e cartazes. Assim, o macaco era mais
exaltado que todos, porque era conhecido como o campeão mundial das maratonas.
Os empresários eram uma zebra e um cavalo, que
sempre iam junto dos outros animais para desencorajá-los. Diziam-lhes:
-
Vocês não têm capacidade para enfrentar o macaco nessa maratona! É preciso que
tomem os nossos pés por empréstimo! E se ganharem, a taça e mais 40% do valor
de prêmio fica para nós. Os outros animais aceitavam a proposta dos dois
empresários. Porém, sempre nos momentos da corrida, não surgiam os efeitos que
lhes eram prometidos pelos empresários e acabavam por perder a maratona, porque
não conseguiam se adaptar ao terreno da corrida com os pés emprestados. O
macaco ganhava sempre a corrida. Assim, para pagar as dívidas, estes animais tinham
que entregar as suas casas e outros bens aos empresários por um determinado tempo.
Passando
alguns períodos de tempo, na edição a seguir, ao se inscreverem de novo, vieram
a zebra e o cavalo com suas novas propostas motivando os derrotados nas edições
anteriores. Mas desta vez sapo e camaleão aceitaram as propostas. E a tartaruga
por sua vez decidiu recusá-las e optou-se pela utilização da sua própria técnica
para ganhar a corrida. Preocupada com a situação de não querer emprestar os pés
de outros animais, ele decidiu refletir profundamente e acabou por apostar-se
em si mesma, disse para si:
-
Na verdade sou muito mais lento em relação ao macaco. Já emprestei os pés dos
outros várias vezes e em nada isso me resultou. Mesmo emprestando de novo, não
vou conseguir me adaptar nesse curto espaço de tempo!
-Agora
o que devo fazer para ganhar essa corrida com os meus próprios pés? Indagou a
tartaruga.
Ele
pensou, pensou e não achou nenhuma solução! Então disse:
-
Desde o momento em que eu era pequenininha, a minha mãe sempre me dizia que era
neta da dona caracol. Vou para sua casa, talvez ela acharia uma solução para o
meu caso! Pois ela é a mais velha e tem mais experiência de vida do que mim. Com
certeza, teria solução para mim!
Assim,
decidiu ir à casa da avó para pedir-lhe um conselho.
Quando
chegou à casa da sua avó, contou-lhe toda a sua preocupação. E a dona por sua
vez riu-se:
-
Kakakakakakakakaaaaaaa...h!
E
disse-lhe:
-É
só isso, minha querida! Exclamou vovó.
-
Não te preocupes tanto, minha querida! Vamos achar uma solução agora mesmo!
Acrescentou a avó.
A
avó ficou pensativa por um certo tempo e depois disse à neta:
-
Sabes que o macaco adora bananas? Vai e procure bananas. Na véspera da corrida,
levanta-te de madrugada e distribui-as na estrada.
A
tartaruga toda satisfeita pelo conselho da avó, ao voltar para casa, começou a
cantar:
Estin nganan ba oh,
Estin nganan ba oh,
Ma es bias ndjurmenta
Di kuma estin kana nganan mas!
Pabia gosi nsibi kuma
Kil ki di mi tem balur,
I tem balur oh,
Nfala i tem balur!
Quando
faltava uma semana para o grande embate da maratona, a tartaruga foi procurar
bananas na horta do seu pai.
E
o macaco confiante sempre na vitória, não se importava em fazer treino. Sem
saber da estratégia montada pelo seu adversário tartaruga, ele exaltava-se:
-
Eles nunca vão conseguir me derrotar! Porque sou mais rápido que eles e tenho
tudo para continuar a ganhar!
Porém
na véspera da prova, a tartaruga levantou-se de madrugada e fez tudo quanto
tinha sido orientado pela avó.
No
dia da partida, todos os torcedores começavam a gritar:
-Viva
macaco! Viva macaco...!
Quando os atletas estavam se aquecendo,
intensificaram-se ainda mais os gritos a favor da vitória do macaco. E a tartaruga
por sua vez através da estratégia montada, riu-se baixinho:
-
Rsrsrsrsrsrs!
Quando
se deu o apito inicial da partida, o macaco, o sapo e o camaleão partiram com
uma velocidade enorme, e a tartaruga com os seus passos lentos, mas seguros,
ficou correndo atrás deles.
Durante
os primeiros minutos, a disputa era entre o sapo e camaleão e, em terceira
posição, estava o macaco. Mas como o ritmo era tão forte, durante uma hora, os
dois primeiros protagonistas, o sapo e camaleão, não conseguiram aguentar,
acabaram por cair no caminho, desmaiados. Neste momento, prosseguia o macaco na
frente. Mas, de repente, deu-se com as bananas, logo parou-se e começou a comê-las.
O
macaco comeu tanto que a barriga ficou cheia, assim, não conseguiu continuar para
terminar a maratona, ele começou a se sentir preguiçado e aos poucos acabou por
adormecer.
Por
sua vez, a tartaruga seguia-se lentamente e acabou por isolar-se no percurso
sem ter nenhum adversário com quem podia disputar o título da maratona.
Assim,
a corrida foi dela. Nessa situação, todo mundo ficou admirado e com água na
boca, exclamando:
-
É sério! Ela ganhou! Como é que isso foi possível!
A
partir desse momento, ela passou a merecer o respeito de todos. E começou a
andar com a sua casa. Conseguiu livrar os seus parentes da fome, pobreza e
miséria. Da sua família, cada um ao nascer já nasce com sua casa pronta. Assim,
ela tornou-se o mais famoso entre os outros. Pois a sua vitória surpreendeu o
mundo.

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