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sábado, 15 de abril de 2017



Vaz Pinto Có (Afu) é Licenciando em Letras Língua
 Portuguesa na Universidade da Integração Internacional 
da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB). Membro 
da Academia Afro-cearense de Letras (AAFROCEL). 
Em 2015 participou na Coletânea Novos Escritores 
da Academia Afro-cearense de Letras, em 2016 participou
 no livro O que contam os sentidos do projeto ateliê com 
conto Tragédia da Feijoada.  Além do conto gênero literário 
preferido. Vaz escreve também, poesia, crônica, memorial e diálogo. 



Um encontro!
Se alguém perguntar sobre o motivo de escrever esta história, responderei: eu escrevo esta história do encontro para que ela sobreviva para toda vida. Porque as letras não morrem.
Contudo, antes de começar falo: na infância eu era um menino que gostava de brigar com as meninas da minha tabanca somente para roncar a força porque sou homem. Porém numa tarde, minha avó chamou-me e disse: sem as mulheres nosso djorson já tinha acabado, porque são as mulheres que vão parir para aumentar djorson. Em seguida ela disse que quando uma mulher pepel morre é como se morresse dez homens.
Assim sendo, a partir deste dia nunca mais almejo magoar coração de uma mulher dependendo de ela ser pepel ou não. Atenção, leitor, não diga que minha avó disse que os homens não são importantes, por favor, não fale isso. Ela quer dizer que nós homens devemos saber que as mulheres também são importantes quanto nós. Então, não diga que ela disse que os homens não são importantes, se dizer assim, então assuma que é você que diz, entretanto não é minha avó que disse isso. Entendeu? Agora vamos para história do encontro.
      Um dia numa quarta-feira- naquele tempo que fora ainda órfão no Brasil, eu andava no estremo direito de pátio do Campus da Liberdade e minha cabeça estava num lugar pensando na mama Clara, na pátria de Cabral. Era por volta das dez horas e alguma coisa. Por espanto, vi uma menina ou uma senhora. Talvez já a conhecia de rosto um dia, ela podia ter vinte e bocadinho de anos.  Mas, tinha coração de algumas mulheres de setenta. A senhora ia xerocar um texto da sociologia na Xerox de Liberdade.
Ela andava no corredor esquerdo da Liberdade, aquele que iniciou a frente de sala dos professores até fim de parede da biblioteca. Logo, quando nossos olhos se encontraram, vi nela a cara de uma mulher guerreira, lutadora e principalmente uma verdadeira mãe. Também, a solidariedade, a humildade e a amizade cheiravam no rosto dela.  O corpo dela cantava sorriso e mostrava uma moça de bom coração.  Nos meus olhos ela é bonita, elegante e vaidosa.  Dizem que quando chegara à UNILAB, havia duas dúzias de moços que a queriam namorar. 
Então, chamei-a de longe e fiz gesto de ela me esperar, e ela sem mistério parou. Desse modo, indo ao encontro dela no caminho notei que provavelmente ela era uma das filhas da mama Guiné. Porque as filhas e os filhos da mama Guiné são fáceis de reconhecer, nem se for numa escuridão. Têm aquele rosto de alegria que nenhuma outra mulher pariu neste mundo.  Cheguei sem lhe cumprimentar, logo, inquiriu-lhe o nome, e ela respondeu gentilmente:
 - Chamo-me Peti Mama!
Sorrindo como mama Clara. Naquela hora, meu coração saltou de alegria e meu corpo respirou de contentamento. Em seguida, contei-a meu nome. Naquele instante, lembrei-me da dona Maria que me disse que se eu chegara à terra dos românticos, antes de arrumar uma namorada de lembrar-se de arranjar uma mãe.
Porque as namoradas, às vezes, são viajantes, se vieram de manhã possivelmente à tarde viajarão para outro destino. Quanto às mães são eternas, por mais que viajem, levam os filhos no coração e na alma. Dessa forma, disse-lhe que prefiro chamá-la de mãe ou mana, mas não pelo nome. E ela sem rodeio topou a iniciativa. Em seguida chamou-me de filho. E me abraçou, naquele instante, sentia abraço de uma mulher valente no espírito e forte na alma. Também, notei que ela era uma mulher que podia fazer papel da mãe e do pai. Como maiorias das mulheres da minha terra. Sinceramente as mulheres da minha Guiné são superiores aos seus homens. Falo de novo as mulheres da mama Guiné são superiores aos seus homens. Porque os homens só podem fazer papel do pai, embora incompleto. Meu leitor, se não acredite em mim. Portanto, faça uma pesquisa com dois meninos órfãos da minha pátria. No entanto, um deve ser órfão de pai e outro de mãe. O seu resultado mostrará que aquele órfão de pai só é órfão por sombra, contudo quase não é. Porque a mãe sempre desempenhará papel do pai. Enquanto aquele órfão de mãe é totalmente órfão.  Ou dizendo é como se ele fosse órfão da mãe e do pai.
 Realmente, desde que nasci até nesta madrugada, trinta de janeiro, em que estou escrevendo esta história nunca vi uma mãe que disse ao filho ou à filha de manhã que não há dinheiro de mata-bicho, depois ir comprar pão com leite na vira costa ou ir comprar futi para comer e deixar os filhos com a barriga vazia em casa.  Repito nunca vi isso nem ouvi. Porém já presenciei uma história de um pai que morava no bairro de Belém em Bissau que disse ao seu filho que não havia dinheiro de mata-bicho, depois ele foi comprar futi na feira de caracol. Como Deus gosta das crianças, ele comeu e limpou a boca, no entanto, um garam di bianda ficava na barba e também boca dele estava suja de siti, então quando ele chegou a casa, o filho viu isso e disse:
- credo, papa! Você tinha dito que não há dinheiro para nos comprar pães de mata-bicho, mas você tem dinheiro de comprar futi para comer e nos deixar com a fome. Não acredito nisso, papa!
- Huuuuum, não comi nada, meu filho! Como é que vou comer alguma coisa e vos deixar com a fome em casa? Nunca vou fazer isso, filho, eu não tenho coração de maldade.  
- Então, papa, deixa-me tirar esse garam di bianda na sua barba para eu comer e também aproveitarei para limpar esta sua boca que está suja de siti.
- Hoooooo! Filho tenha certeza de que eu não comi nada! Foi uma moça que me deu esse garam para eu lhe trazer.
- Obrigado, papa! Siti também é para mim?
-sim, sabe, eu gosto de ti!
Vejam esse tipo de pai que tem a coragem de comer futi e deixar os filhos com a fome, depois dizendo que ele não comeu nada, se ele não comeu, onde saiu aquele garam di bianda na barba dele? Esse garam saltou e sentou na barba do gajo? Também onde saiu aquele siti que está brilhando na boca dele? Porra páaaa! Há pais que não merecem este título, porque um pai deve ter um bom caráter e responsabilidade. Um pai sem caráter não deve ser chamado de pai. Porque ser pai é uma coisa nobre, não de brincadeira. Como é possível um pai ir comprar futi para comer e deixando estomago chorando com os filhos em casa? Acredito que desde que tomamos a independência até a data presente se nossos presidentes fossem todas presidentas talvez nenhuma criança não chorasse de fome hoje nesta pátria. Pois se barriga de uma mulher está cheia, então do filho está mais cheia ainda. Desculpe leitor, por eu ter perdido tempo com a história de pai sem caráter. Agora, voltaremos para a história de encontro.    
 Estávamos à frente da porta da biblioteca de Liberdade, onde às vezes, vendem-se livros usados.
E alguns meninos guineenses estavam a uns metros de nós, discutindo sobre instabilidade política na Guiné-Bissau. Alguns culpavam os militares; e outros, os políticos. No entanto, havia um que talvez já estudasse coisa das leis antes de vir para cá ou era um jovem ativo nas associações juvenis do país. Por outro lado, parecia alguém que ia jardim na infância. Porque, de modo como ele analisava e argumentava, era diferente dos colegas que se limitavam somente em culpar, mas sem apontar algumas causas. E ainda, as suas caras mostravam que não pretendiam voltar-se para a querida Guiné. Ele era um jovem bonito e esperto, no meu olhar será um grande Amílcar Cabral no futuro. Ele além de culpar os políticos também disse que a democracia se faz com os democratas, e não ao contrário.
No entender dele nossos políticos são mais antidemocratas em vez de serem democratas. Porque, quando estão no poder, veem os adversários como inimigos e tentam eliminá-los a todo custo. Estes também por sua vez lutam para derrubá-los no poder. Sem  entender que é o povo que os colocaram no poder. Ainda, disse que, no dia que ele terminar estudo no Brasil, logo no dia seguinte, estaria no caminho para a pátria de Cabral. Porque todo cidadão deveria dar a energia pela pátria onde nascera. Eu, embora não participava naquele debate, porque estava ocupado, sobrescrevo a visão deste menino. Porque, naquele momento, eu e minha mãe Peti estávamos falando sobre coisas da mãe e filho. Então, por surpresa, ela começou fazendo-me algumas perguntas. Primeiro, perguntou-me como andava as aulas, e falei-lhe que tudo andava bem graças a Deus. Depois me disse se eu tinha dinheiro de comer no restaurante universitário.
Também lhe disse que tinha, porque eu preferia deixar de comprar sapato ou calça. Portanto, o que tem a ver com a comida se Deus quiser não me faltará. Ainda, disse-me se a saúde ia bem comigo, e informei-a que meu corpo estava são como mancarra. Entretanto, no fim daqueles inquéritos que ela me fazia, lembrei que eram os mesmos que querida Clara me fazia quando ela ligava de Bissau. Ou eram aqueles que qualquer uma boa mãe fazia para seu filho ou sua filha. Naquela hora, percebi que senhora Peti era uma excelentíssima mãe e também era quase mama Clara. Realmente dizem que cada pessoa tem a sua parceira neste mundo. Assim, falei na memória de que ela era sem dúvida parceira da minha Clara. Se houvera a diferença entre ambas, talvez seja a única por fora, porque Clara parecia mais alta do que ela. Mas por dentro totalmente são iguais. Coração delas praticamente é a mesma. Também, o espírito de amar é idêntico, assim vai. Então, meia hora depois ela despediu-me com beijo na testa e disse para eu cuidar. Porque estou na terra da gente, também me  falou para eu aconselhar no estudo e foi para Xerox.
No entanto, quando ela foi, sentia honrado de ter conhecido uma pessoa tão amável quanto ela. Em seguida lembrei-me das minhas quartas-feiras. Era numa quarta-feira na entrada da tardinha que nasci na terra de Tombali.  Também era numa quarta-feira que viajei de terra de Titina Sila para Bissau. Era numa quarta-feira que fiz teste de bolsa da UNILAB. Ainda, era numa quarta-feira que viajei de Dacar para Brasil. E hoje quarta-feira, por surpresa, tenho mãe na terra do Lula que era mãe como qualquer outra. E por fim, lembrei-me daquela quarta-feira que Afumolo-grande foi de uma vez, esta foi acidente. No entanto, às quartas-feiras são boas. Em seguida, fui almoçar no restaurante universitário. Naquele dia, havia uma longa fila, era preciso ter tanta paciência para encará-la. Dessa forma, trinta e alguns minutos naquela fila consegui comprar a ficha, já servindo a comida pelo visto.
Desconfiei que aquela comida desse mais por mal em vez do bem. Era no tempo daquela empresa que, às vezes, um dia certara e outro dia não. Então, quando acabei de servir a comida, logo na primeira colherada, desiste dela. Só quem morreria de fome que ia comê-la. Arroz não estava bom, além de molho que faltava e uns ingredientes segundo meu paladar. Embora não tenha comido, aquele beijo na testa da minha mãe Peti alimentou-me. Depois daí, fui para laboratório da informática, quando cheguei, abri computador. Já acessando facebook, por surpresa, recebi um pedido especial de amizade que era dela.  Eu que nunca negara amizade do um ser humano no facebook.

Então, não seria dela que ia negar, aceitei e logo enviei mensagem agradecendo. E ela respondendo que filho não devia agradecer à mãe. Porque era direito desta com filho. Realmente minha grandiosa mãe, amiga e tudo. Se eu poderia, abrir-te-ia meu coração para você dormir-se e descansar-se deste maldito sol de Redenção que queima como fogo. Também, se você morasse na Rússia, naquele maldito frio, dar-te-ia meu corpo para acender fogo e aguentar o frio. Viva mama Guiné! Viva mulher guineense! 


Redenção-Ce, 30 de janeiro de 2016.


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