Vaz Pinto Có (Afu) é Licenciando em Letras Língua
da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB). Membro
da Academia Afro-cearense de Letras (AAFROCEL).
Em 2015 participou na Coletânea Novos Escritores
da Academia Afro-cearense de Letras, em 2016 participou
no livro O que contam os sentidos do projeto ateliê com
conto Tragédia da Feijoada. Além do conto gênero literário
preferido. Vaz escreve também, poesia, crônica, memorial e diálogo.
Dia da expulsão
Se alguém.
Perguntar-me
de novo
O
dia da independência
Da
Mama Guiné
Mulher
encantadora e vaidosa
Não
direi 24 de setembro.
Repito
não direi
Desta
vez responderei
Mama
Guiné,
Minha
amada pátria
Nasceu
Independente
Porque,
Meu
tataravô Ndjirapa Có
Saia
de Biombo
Ia
para Bissau, Catió.
Bubaque,
Mansoa
Gabu,
Bafata, Buba.
Sem
pedir guia a ninguém
Até
morrer
Não
pediu guia
Nem
ao Joaquim
Nem ao Antônio
Para
ir onde ele quer
Meu
trisavô Tchumba Nhassé
Também
viveu
Nessa
liberdade
No
entanto, um dia.
Um
homem impostor
Que
não conheceu
Lugar
dele
Chamado
de tuga
Veio
para cá e privou
Essa
independência
Dizendo
ao meu bisavô
Malam
Djassi
Se
ele quiser
Ir
Para Gabu, Mansoa.
Bafafá,
Catió e Buba.
Deve
pedir guia
Na
mão dele,
Porque
a partir daquele dia
A
nossa terra é dele
Então
se alguém quiser
Fazer
alguma coisa na terra
Tem
que pedir
Autorização
na mão dele
Se
não pedir
Portanto
não pode fazer
E
tudo ficou assim
Até
um dia
As
guerreiras e os guerreiros
Da
nossa pátria
Dizerem
basta
E
expulsaram-no
Em
nossa terra
Porém
ninguém fala assim
Só
cantando
A
independência
Contudo,
hoje grito viva.
Dia
da expulsão e tu?

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