Jeremias Demba é graduando em
Letras - Língua Portuguesa pela
Universidade da Integração Internacional
da Lusofonia Afro-Brasileira - UNILAB,
aventureiro no mundo da Literatura e
Linguística, autor de poesias e contos.
Noite
Deitado no meu pequeno leito com olhos arregalados,
nariz entupido, boca aberta facilitando o respirar do peito.
Noite de sufoco, sem sono. O desconforto usurpou o meu
cômodo que tanto me acariciava durante as noites frias. Hoje é o pior das
noites, e o mais drástico é que o sol não vem, já passaram mais de 24h sem se
amanhecer.
Quem me daria voz para gritar em meio a este engasgo
do pesadelo? Só espero não morrer tão precoce. Talvez essa treva viesse decapitar
o reconto do meu porvir. É a ira dos meus ancestrais? Cascudo de Deus? Uma
praga enigma? Um dos antagonistas meus querendo me enfeitiçar? Ou eu maleficiando
a mim mesmo? Seja lá o que for, quero saber porquê que essa noite não cessa.
Oh! Meu berço que era fofo, o lugar onde me requintava
a cada amanhecer, meu maestro musical, hoje, a suavidade melódica dos seus
cantos que reavivavam o pensar produtivo, transfigurou-se numa noitada de
amargura infinda.
Provavelmente nenhum dos meus ancestrais passou por
uma noite terrível como essa, se for o caso, saberia, com certeza, os cantos e
os contos narrariam para mim numa das mais belas noites de lua cheia, quem
sabe, lembraria da malandragem do escapo.
O único auxílio que me resta é um milagre. Mágico, se
eu fosse, puxaria o sol lá do seu esconderijo, para que a noite azeda se desapareça
e secar o meu leito banhado de choro de angustia.
Que noite é essa?
Que nem por piedade que eu peça,
sente vergonha dessa sua teatral peça.
Oh Deus! Teu prodígio eu espero,
caso terminar o escuro áspero
no dia mais ardífero,
numa arena juntar-me-ei todo mamífero,
antes do meu partir,
tudo contarei sem omitir.

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